Leandro Colling não quer apenas responder aos anti-identitários. Ele restitui a complexidade do debate e mostra que as lutas por reconhecimento jamais estiveram separadas das lutas pela transformação das estruturas sociais. Sua cartografia revela o que poucos têm coragem de dizer, clamando por novas alianças e abrindo-se para o devir. É nesses momentos que a crítica se torna mais necessária. E poucos autores, hoje, conseguem exercê-la com a densidade interdisciplinar, o rigor analítico, a coragem e maturidade intelectual presentes nesta obra.
— Marcelo de Tró? – Universidade de São Paulo
Este livro é a primeira resposta de fôlego ao debate sobre os chamados “identitarismos” no Brasil, tema latente no âmbito público a partir das ofensivas da ultradireita global dos últimos anos. Nele, é possível acompanhar excelentes reflexões sobre como as estratégias adotadas pelas elites econômicas que compõem a branquitude brasileira, desde a Proclamação da República e ao longo de todo o século XX, com o intuito de racializar e estabelecer hierarquias para inferiorizar a população negra e LGBTQIAPN+, ainda são requentadas no século XXI com apego ao ultrapassado mito freyreano da democracia racial. A partir de uma cartografia minuciosa da produção recente, Leandro Colling desnaturaliza os discursos dos/as anti-identitários/as ditos/as progressistas, que se pretendem neutros/as e universalistas enquanto operam silenciosamente sob uma ótica racista, sexista, cisgênera e homo-lesbo-transfóbica. Eles/as compartilham argumentos adotados pela extrema direita, inconformada com a virada epistemológica que coloca as “minorias sociais” no centro da produção acadêmica e as reconhece como cidadãs e dignas de humanidade, o que lhes foi negado historicamente. Mesmo que atenda a uma demanda imediata, esse é um livro para as novas gerações e que nos oferece uma linda poética do futuro! Desfrutem.
—Ricardo dos Santos Batista
Professor de História do Brasil República e
relações étnico-raciais no Departamento de História da Universidade Federal da Bahia.