Como acompanhar a vida quando ela insiste em escapar às margens que tentam contê-la? É junto aos cotidianos escolares que esta escrita se desdobra a partir dessa pergunta, como quem acompanha um rio: sem tentar interromper seu curso e deixando-se conduzir por suas curvas, confluências, contrafluências e correntezas. Ao deslocar o cuidado das margens das prescrições para o devir-cuidar, o livro evidencia que ele não se reduz a competências, protocolos ou técnicas. Ele emerge nos gestos mínimos, nas brechas, nas palavras e nos silêncios compartilhados, nas invenções pelas quais a vida pulsa, resiste e acontece nos cotidianos escolares. Em uma escrita que assume a forma de uma pesquisa-rio, o leitor é convidado a mergulhar em um percurso no qual ética, estética, política e poética se entrelaçam, reconhecendo que, como os rios, os cotidianos escolares são indomáveis: nenhuma margem é capaz de contê-los definitivamente, pois sempre excedem as tentativas de fixação, criando novas confluências das quais continuam a nascer outros modos de cuidar e habitar a escola.