Há dores que não encontram espaço na fala. Sentimentos que
permanecem presos, difíceis de explicar, mas que encontram na arte
uma linguagem própria. Para mim, escrever sempre foi mais do que
uma forma de expressão: foi uma maneira de sobreviver ao que eu não
sabia dizer.
Este livro nasceu da dor, mas não pertence somente a ela. Nasceu
de sentimentos que, por muito tempo, permaneceram silenciosos e
que encontraram na escrita uma possibilidade de existir, respirar e,
finalmente, ser libertados. Nunca fui boa em falar sobre aquilo que
sentia. Por isso, escrevi.
Transformei inquietações em palavras, ansiedade em versos,
silêncios em páginas e sentimentos em poesia. Cada texto carrega
um fragmento de uma experiência, de uma memória ou de uma
emoção que, em algum momento, precisou encontrar um lugar para
permanecer.
Escrever foi a forma que encontrei de dizer aquilo que a voz não
conseguia pronunciar. Por isso, este livro não foi escrito apenas para ser
lido. Ele foi escrito para ser sentido.
Existe, entre estas páginas, um lugar de intimidade. Um espaço
em que o leitor precisa se permitir entrar sem pressa, sem procurar
respostas prontas e sem medo de encontrar, em algumas palavras, algo
de si mesmo.
Talvez aquilo que para mim nasceu da dor encontre em você
outro significado. Talvez um verso desperte uma lembrança, uma
frase alcance uma ferida antiga ou uma página simplesmente faça
companhia em um dia difícil.
Este livro é parte de mim. É o registro de sentimentos que um
dia não souberam ser ditos e que, através da escrita, finalmente
encontraram uma voz. Se você decidir entrar nestas páginas, permitase sentir. Principalmente a dor. Talvez, em algum lugar entre minhas
palavras e as suas emoções, esta história também se torne um pouco
sua.