E se aprender a ler o mundo também significasse reconhecer os territórios, as ancestralidades e as desigualdades que atravessam nossas próprias formas de existir e, acima de tudo, garantir justiça às populações historicamente exploradas? Em Letramento Étnico-Racial e Territorial Crítico-Dialético, Jacqueline Tatiane da Silva Guimarães propõe um deslocamento necessário: compreender a Amazônia como território vivo de produção de conhecimentos, memórias, identidades, ancestralidades e resistências.
A partir de uma perspectiva crítica, antirracista e comprometida com os territórios amazônicos, a autora articula letramento étnico-racial, territorialidade, ancestralidade, branquitude, infâncias e relações de poder, interrogando os modos pelos quais o racismo, o colonialismo, o neocolonialismo e a colonialidade produzem apagamentos sobre corpos, histórias e saberes em uma região historicamente concebida como fronteira e como território de inesgotáveis recursos naturais.
Tal como a autora afirma: “Quem sabe, então, porventura, estes meus escritos, de uma mulher negra amazônida, de contundente ancestralidade indígena, possam servir de base para que outras e outros pesquisadores também pensem as relações étnico-raciais em suas regiões.”
O título da obra situa, mas a escrita amplia.
Com especial atenção às infâncias da Amazônia, sobretudo às do Marajó, o livro recupera vozes, experiências e conhecimentos historicamente colocados à margem das narrativas hegemônicas. Mais do que uma reflexão sobre a Amazônia, esta obra é um convite à construção de outras formas de conhecer, educar, pesquisar e produzir direitos, reconhecendo os territórios, as ancestralidades e os saberes que sustentam suas múltiplas existências.