Muito além de assinar listas com nomes badalados do momento, uma curadoria de literatura pode impulsionar desejos até mesmo desconhecidos antes dela.
Nesta obra, a poeta e jornalista Fernanda Bastos retorna ao exercício ensaístico para narrar experiências da maternidade e da curadoria de grandes festivais e clubes de leitura, analisando os desafios da manutenção de projetos independentes e mainstream no campo literário na contemporaneidade.
Em contextos nos quais as pautas sociais e as obras de arte são facilmente transformadas em mercadorias para satisfazer fandoms e grupos de WhatsApp, sua visão sobre os projetos autorais desempareda livros e autorias restritas pelo poder econômico a nichos específicos.
“Para quem quer mergulhar no ofício da curadoria, recomenda-se lembrar que desempenho comercial não substitui legados criativos. E que aqueles que se limitam a apenas operar as engrenagens do sistema logo serão substituídos por quem se mostre capaz de repetir as fórmulas do sistema de uma forma mais rápida e por um preço menor.
Após anos de trabalho como curadora de mostras, eventos e festivais, me pergunto: com o avanço da distribuição de conteúdo programado pelas editoras e agências — que precisam identificar temas e abordagens para vender aos colaboradores garantindo a sustentabilidade de seus negócios — é ainda possível fazer curadoria?”
— Fernanda Bastos