Inquisição Reprodutiva investiga o percurso pelo qual o ato de autoaborto é transformado em crime no Brasil. A pesquisa combina a análise de microdados das Secretarias de Segurança e de acórdãos judiciais durante uma década (2012-2021), revelando como os diferentes atores do Sistema de Justiça registram, qualificam e julgam mulheres e meninas nesse contexto. Ao mapear as engrenagens estatais que sustentam esse itinerário desde os hospitais ao tribunal do júri, a pesquisa expõe as violências institucionais que marcam essas trajetórias. O aborto é associado a imagens negativas de papéis sociais de gênero, raça e classe submetendo mulheres e meninas a estigmas e punições penais e simbólicas, enquanto o feto é frequentemente elevado à condição de vítima, com status infantil.