Em "O avesso do imaginário", a psicanalista Tania Rivera investiga como a arte contemporânea desestabiliza nossas certezas sobre a identidade, o corpo, a imagem e a realidade. Em uma leitura que aproxima Freud e Lacan de questões fundamentais da história e da crítica de arte, a autora explora a capacidade das obras de deslocar o espectador de sua posição habitual e transformar sua relação com o outro. Da fotografia e da performance às instalações e experiências participativas, analisa trabalhos de Sophie Calle, Joseph Kosuth, Gary Hill, Louise Bourgeois, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Ernesto Neto, Waltercio Caldas e Cildo Meireles. Entre os exemplos estão as narrativas de sofrimento amoroso de Sophie Calle, os parangolés de Oiticica e as experiências sensoriais e terapêuticas de Lygia Clark, que convidam o público a participar ativamente da produção de sentido.
Ao articular conceitos como fantasia, sublimação, imaginário e sujeito do inconsciente, Rivera propõe uma compreensão da arte como experiência capaz de colocar em movimento nossas formas de perceber, sentir e existir. Em diálogo com pensadores como Mário Pedrosa, Walter Benjamin e Roland Barthes, os ensaios também investigam as dimensões éticas e políticas da criação artística. O resultado é uma reflexão original sobre as relações entre arte e psicanálise, na qual cada campo amplia as possibilidades do outro e a experiência estética se revela uma força de transformação individual e coletiva.