Ao ler uma obra como esta, a pessoa leitora se vê diante de uma questão que ultrapassa os limites acadêmicos: o que significa, afinal, cruzar uma fronteira? Não apenas a fronteira geográfica, delimitada por muros e documentos, mas aquela outra, simbólica e hostil, que separa tudo o que fazia sentido do que ainda não faz e, ao mesmo tempo, extenso em possibilidades? A obra de Nelson Domingues sobre as intersecções entre migração, religião e saúde mental entre imigrantes bolivianos em São Paulo nos convida a pensar a migração não como um dado estatístico, mas como uma experiência humana radical. Suzana Ramos Coutinho