Em Belo Vale, Minas Gerais, a comunidade quilombola Chacrinha dos Pretos guarda na memória histórias de lutas e resistência que atravessam gerações. Neste território, marcado pela cultura, trabalho, convivência comunitária, con?itos e tradições, as quilombolas e os quilombolas constroem modos próprios de viver e de socializar conhecimentos. A identidade quilombola se constrói imersa nas práticas culturais, nas histórias vividas entre gerações e no sentimento de pertencimento ao território. Dialogar com essa realidade e seus fortes vínculos é o desa?o da escola. A partir de uma pesquisa etnográ?ca, o livro analisa as relações entre professoras, estudantes e comunidade, revelando como a experiência escolar poderia se entrelaçar com a história coletiva, com as memórias familiares, com as formas de resistência e com a relação passado-presente-futuro. Ela é compreendida como parte integrante do contexto analisado em diálogo com a vida da comunidade e com os processos de construção da identidade negra e quilombola. A partir da leitura desse livro, as leitoras e os leitores compreenderão melhor a força do quilombo como espaço de produção de conhecimentos ancestrais e da escola como instituição desa?ada a reconhecer essa realidade em meio às disputas e as desigualdades.
Nilma Lino Gomes
Professora Titular da FAE/UFMG Professora Emérita da UFMG Março de 2026.