"“(...) Quando pensamos em manuais jurídicos, a expectativa usual é encontrar uma sucessão de conceitos dogmáticos e estruturas estáticas. Não é o caso, decididamente, desta publicação. (...) O livro foge das abordagens repetitivas e excessivamente densas, de viés puramente dogmático, para abraçar uma didática que preserva o sentido histórico e crítico de seu objeto de estudo. É o exercício de uma sabedoria que advém da aceitação do real, como lembra Comte Sponville ao contar a história do monge que se ilumina na dor: Marcelo reconhece as desigualdades estruturais geradas pelo capitalismo e utiliza o direito não como uma negação dessa realidade, mas como um instrumental técnico que pode e deve ser atravessado pela crítica. (...) A divisão entre o público e o privado não é apresentada como um dado neutro, mas como uma questão histórica e ideológica que reflete as forças políticas no poder. Trata-se de exemplo poderoso de investigação atenta à existência do fenômeno jurídico como um fenômeno social, sem descuidar do aspecto dogmático do direito. (...)
Caminhando para o fim. Se o objetivo de um bom prefácio é instigar o leitor a devorar a obra, basta dizer que este não é um manual para ser deixado na prateleira como um objeto de consulta estéril. Como ensinam Paul Ricoeur e Renato Janine Ribeiro, os símbolos e significantes poderosos do nosso tempo nos convidam a fazer mais e melhor. Este é um livro para aqueles que, como Marcelo, buscam entender o direito para além dos dogmas, com olhos brilhantes e espírito inquieto. Uma obra indispensável para quem deseja enxergar a realidade jurídica no contexto ético e socioeconômico mais amplo.”"