“O conjunto dos textos apresentados neste notável volume cobre quase um século de história, estendendo-se da consolidação da escola republicana francesa, no fim do século XIX, às revoltas estudantis e operárias de 1968. Mas o que realmente confere unidade a esta obra não é propriamente a linha do tempo, mas um problema filosófico, social e existencial: como as instituições produzem subjetividades e como as subjetividades respondem? Percorrendo estas páginas, o leitor perceberá que essa pergunta reaparece sob múltiplas roupagens: a pedagogia moralizante, o disciplinamento das emoções, as linguagens da escola, os limites da psiquiatria, o teatro como insurgência, os movimentos sociais como laboratório de novas sensibilidades.
O autor não busca fornecer respostas prontas para esses fenômenos contemporâneos. Oferece algo mais valioso: uma genealogia da dissidência, mostrando como ela foi produzida, reprimida, transformada e reinventada no decorrer de um século. Com essa abordagem, Thiollent nos lembra que, se a escola e a universidade pretendem formar sujeitos, há sempre uma parte de nós que escapa e, por isso mesmo, nos mantém vivos.”
Décio Saes