Escrita entre 1819 e 1820, cerca de um ano após Frankenstein, e publicada postumamente mais de um século depois, Mathilda é considerada uma das obras mais ousadas de Mary Shelley e chega agora à Antofágica pela Nano.
Com o início da vida definido pela morte da mãe poucos dias após o próprio parto, Mathilda é abandonada pelo pai enlutado e criada por uma tia rigorosa e emocionalmente distante. Dezesseis anos depois, pai e filha se reencontram e rapidamente constroem uma relação de profundo afeto e admiração mútua. No entanto, o amor com que ela sonhou a vida toda logo se transforma em uma maldição quando o pai lhe confessa uma paixão incestuosa. Acreditando estar condenada ao desespero e à desgraça, Mathilda se isola da sociedade e, em busca de algum sentido para o sofrimento que a acompanha, passa a rememorar a série de infortúnios que marcou sua vida.
O tema do amor incestuoso, subversivo ainda hoje, fez com que William Godwin, pai e editor de Mary Shelley, recusasse a publicação da novela, que permaneceu inédita até 1959. A narrativa, marcada pelo luto e pelo isolamento, foi escrita pouco após a autora perder dois filhos em sequência e assume um tom confessional que amplia o entendimento de sua produção para além de seu romance mais célebre. Além de evidenciar o domínio de Shelley sobre a narrativa em primeira pessoa e a construção da interioridade, esta tragédia moderna mobiliza um amplo repertório literário que torna ainda mais fascinante a escrita de uma autora fundamental para a literatura gótica.
Para cada edição da Nano, nossa coleção de livros de bolso, há um QR Code que, ao ser escaneado, direciona para um portal de leitura com textos extras. Esta edição de Mathilda conta com apresentação de Melina Souza, influenciadora por trás do perfil @teawithmel, em que compartilha suas impressões de leitura, e posfácios de Isadora Sinay, professora, tradutora e crítica literária, e Sandra Guardini Vasconcelos, professora, escritora e pesquisadora especialista em romance inglês, entre outros temas da Teoria Literária e da Literatura Comparada. A tradução é de Stephanie Fernandes e a capa é assinada pela designer Leticia Quintilhano.