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Mulheres e Extrema Direita no Brasil - Livraria da Vila
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Mulheres e Extrema Direita no Brasil

Jacqueline Moraes Teixeira
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Foi tentando entender mais uma parte do quebra-cabeça em que se transformou a política e a sociedade brasileiras que convidamos as pesquisadoras Christina Vital da Cunha e Jaqueline Moraes Teixeira para, juntas, analisar as lideranças femininas que apoiam a extrema direita brasileira, ou seja, aquelas que transitam nos círculos de poder mais altos e que contribuíram decisivamente para a organização das forças de extrema direita no Brasil. Embora essas mulheres tenham ganhado visibilidade, o gênero continua sendo um fator relevante na distribuição de poder. As declarações dos caciques partidários insistem em colocar as mulheres apenas como braços para o trabalho nas comunidades. Propostas como a substituição do voto individual por um modelo de “voto familiar”, embora façam parte da estratégia da extrema direita de continuar ditando a agenda midiática, também sinalizam as disputas internas discursivas e dentro dos partidos. Como nossas sinalizam as autoras, as lideranças femininas da extrema direita recusam o confronto direto, apostam na construção de alianças e elegem como inimigo o “feminismo”, o qual, segundo elas, simboliza a ruptura, a inimizade, a agressividade. Assim, o feminismo é frequentemente retratado como uma ameaça à família heteronormativa e aos papéis tradicionais de gênero, considerados centrais para a organização da sociedade. Lideranças do movimento feminista apontam que a presença de mulheres em espaços de poder é relevante, mas não suficiente para promover igualdade de gênero. A questão central continua sendo quais direitos, políticas e relações sociais são fortalecidos por um projeto político que fortaleça os direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, isso não implica ignorar a diversidade entre as mulheres: elas não constituem um grupo homogêneo e impulsionam projetos políticos distintos. — Marilene de Paula, no Prefácio