Este livro traz uma importante reflexão sobre a alteridade a partir da experiência da Dra. Lisette Weissmann no atendimento a famílias/casais expatriados e em sua própria vivência migrante. Pensar o estrangeiro nos desafia a encarar o estranho em nós e em nossos vínculos. Na clínica, ajudar a acolher o “ajeno” do outro é papel fundamental do analista. A ideia de fusão do casal em um só corpo só se viabiliza no apaixonamento inicial, momento em que as fronteiras entre ambos ficam esmaecidas. E como lidar com as diferenças que surgem com o tempo? A vida a dois exige um intenso trabalho psíquico para incluir o que no outro nos perturba: hábitos, culturas, sexualidade e marcas do desenvolvimento de cada um. O trabalho vincular apoia-se em simbolizar e elaborar essas diferenças, tornando-as um ganho criativo. Como cita Julien, em uma relação “trata-se de uma ética na qual se encontra a erótica do desejo e a estética do bem dizer, na arte de endereçar-se ao outro”. Sonia Thorstensen