Publicado originalmente em 1986, "A vida social das coisas" segue como uma referência fundamental para os debates acerca das relações entre bens e mercadorias, antropologia do consumo e cultura material, consagrando-se como o representante de uma "antropologia da materialidade”, como prefere falar seu organizador, Arjun Appadurai.
O signicado que as pessoas atribuem às coisas deriva necessariamente de transações e motivações humanas, particularmente de como essas coisas são usadas e circulam. Os colaboradores deste volume examinam como as coisas são vendidas e comercializadas em diversas configurações sociais e culturais, presentes e passadas.
Concentrando-se em aspectos culturalmente definidos de troca e processos de circulação socialmente regulados, os ensaios iluminam as maneiras pelas quais as pessoas encontram valor nas coisas e as coisas dão valor às relações sociais. Ao olhar para as coisas como se fossem vidas sociais, os autores fornecem uma nova maneira de entender como o valor é externalizado e procurado.
Reeditado em 2021 pela Eduff, contém contribuições de historiadores e antropólogos sociais americanos e britânicos, num passo importante em nossa compreensão da base cultural da vida econômica e da sociologia da cultura.
A edição brasileira conta com introdução de Laura Graziela Gomes:
"A coletânea organizada por Arjun Appadurai em 1988 vem completar e somar-se ao conjunto de textos acadêmicos produzidos no contexto da antropologia anglo-americana e francesa sobre o tema do consumo e do consumismo modernos nas três últimas décadas do século XX, mas que começaram a ser publicados entre nós somente nos últimos anos (a partir de 2000).
"Uma característica fundamental desses textos foi a retomada de uma perspectiva propriamente socioantropológica sobre o fenômeno do consumo, que desautorizava algumas teses vigentes de caráter transcendente e moral. Esta abordagem surgiu, portanto, como uma 'terceira via' para aqueles que não se adequavam ou não conseguiam mais enxergar este importante fato social do mundo contemporâneo - o consumo - pela ótica exclusiva das polarizações e dos dualismos.
"Autores como Bourdieu, Mary Douglas, Marshall Sahlins, Colin Campbell, Daniel Miller e outros demonstraram exatamente o contrário, sem caírem na tentação de destituírem o sentido e a importância das formas de sociabilidade tradicionais criadas a partir da família, da produção e do trabalho. Baseados em pesquisas empíricas, eles mostraram que o consumo está na base