A literatura e a filosofia são duas formas de pensar o mundo. Em países sem tradição filosófica e científica, como o Brasil, é na literatura que podemos encontrar os lances decisivos de autorreflexão crítica, décadas antes que a filosofia se acomode e se estruture academicamente. Este livro recupera trilhas desse caminho de formação da crítica nacional partindo de dois escritores tanto paradoxais quanto fundamentais: Euclides da Cunha e Monteiro Lobato, além de mobilizar uma lista ampla de críticos e
outros autores. O tema central é a modernidade e seus efeitos sobre a vida brasileira. A crítica de Nietzsche contra o progresso desmedido é o ponto de partida e sua presença direta e indireta nas obras aqui discutidas – seus ecos – o núcleo que conduz
o argumento. Teria a literatura brasileira reagido à modernidade através da matéria popular que emana de seus personagens, antes que a filosofia aquiescesse e mal reagisse às suas mazelas? Um esclarecimento pela ficção comprova que ainda somos nietzscheanos?