Do diamante ao tabaco: de uma aventura empresarial suíça à história do Brasil. O novo livro de Sylvie Doriot Galofaro acompanha uma saga iniciada ainda no século XVIII e revela como comércio, indústria, patrimônio e memória se cruzaram entre a Bahia e a cidade suíça de Neuchâtel.
O centro da narrativa é a fábrica de rapé Arêa Preta, considerada a primeira empresa suíça estabelecida no Brasil. Fundada em Salvador, em 1817, por Auguste-Frédéric de Meuron, ela cresceu até se tornar a origem de uma das grandes fortunas construídas na América Latina no período.
A história da empresa se entrelaça diretamente com a do nascimento do Brasil. Durante os conflitos da Guerra da Independência, entre 1822 e 1824, a fábrica foi incendiada. Mais tarde, suas atividades foram transferidas para o Solar do Unhão, conjunto arquitetônico histórico de Salvador que hoje abriga o Museu de Arte Moderna da Bahia.
O percurso, porém, não termina do lado brasileiro do Atlântico. Em Neuchâtel, parte da prosperidade da cidade está ligada aos negócios desenvolvidos no Brasil por empresários suíços como Meuron. Seu sobrinho, James-Ferdinand de Pury, ao morrer, em 1902, legou sua residência à cidade para que o edifício fosse transformado no atual Museu de Etnografia de Neuchâtel.
A dimensão visual é parte essencial da publicação. Ricamente ilustrado, o volume reúne imagens históricas e registros de artistas e fotógrafos ligados ao período, entre eles Louis Buvelot e Guilherme Gaensly, permitindo que a documentação iconográfica dialogue diretamente com a narrativa.
Com aproximadamente 350 páginas, impressas em cores, Do Diamante ao Tabaco amplia o conhecimento sobre as relações entre Brasil e Suíça e recupera uma história em que indústria, independência, circulação de riquezas, arquitetura e instituições culturais permanecem conectadas até hoje.