Conhecemos o Borges de Ficções, o escritor de cultura enciclopédica, cujo universo é feitode labirintos, bibliotecas e espelhos. Mas houve também o homem de olhar magnético, decabelos negros como asas de corvo, que cresceu em Buenos Aires entre os relatosmitifi cados de seus antepassados e passava os dias fechado na biblioteca do pai,experimentando “deliciosos terrores”.
Odile Felgine acompanha a trajetória de Jorge Luis Borges desde os subúrbios argentinos,descreve suas viagens pela Europa – a Genebra, à Espanha –, suas primeiras criações, seusencontros (com Victoria Ocampo ou Adolfo Bioy Casares), e sua nomeação para a direção daBiblioteca Nacional. Ela revisita suas amizades, a presença constante da mãe, suas relaçõescomplicadas com as mulheres, suas posições políticas controversas, sua aversão aoperonismo e seu reconhecimento mundial tardio. Ao longo de toda a vida, seus livros(contos, poemas, ensaios...) transformam sua própria existência em mito.