Nuas, canibais, sensuais, infanticidas e assassinas de homens – estes foram alguns dos muitos adjetivos utilizados pelos cronistas, viajantes e exploradores europeus para nomear as amazonas do Novo Mundo no transcorrer dos séculos XVI e XVII. Tais características seriam também reproduzidas pelos gravuristas, uma vez que, ao representarem as amazonas americanas, procuravam enfatizar os aspectos relacionados a sexualidade, selvageria e periculosidade. Como toda imagem é tributária do imaginário do seu tempo, a figura da amazona se confunde com a da mulher indígena, também representada na iconografia desse período, com seus longos cabelos, seios fartos, corpo desnudo, membros superiores e inferiores musculosos, portando o arco e a flecha. Nesse sentido, o presente livro analisa como o mito, oriundo do imaginário clássico, foi transladado para a Era Moderna, especificamente no âmbito do mundo colonial ibero-americano, onde encontraria solo fértil para se arraigar e ganharia contornos próprios ao incorporar elementos específicos da conjuntura histórica quinhentista e seiscentista. Esta obra é, portanto, um convite para pensarmos como a Europa inventou a América antes mesmo de conhecê-la, por meio dos símbolos, das imagens e das palavras.