Escrita a partir de uma viagem etnográfica iniciada através de um sonho e impactada pela experiência espiritual em território Pankararé, esta pesquisa propõe à academia um deslocamento radical: reconhecer a Ciência do Amaro como pensamento, método e futuro, um convite a escutar mundos que sempre souberam existir. A Ciência do Amaro é um corpus teórico-metodológico indígena Pankararé vivo, ancestral e insurgente, onde rituais, corpos, materialidades e Encantos tecem regimes de comunicação entre mundos. Forjada na Caatinga de Brejo do Burgo (BA), a Ciência do Amaro não nasce da academia, mas da urgência histórica de existir, proteger e atualizar um conhecimento entranhado em temporalidades profundas do Nordeste indígena. No centro dessa ciência está o Festejo do Amaro: terreiro, ritual e tecnologia Pankararé que transforma território em potência tempo-espacial, onde humanos, Encantos e Dons são responsáveis pela vida. Aqui, não há separação entre religião e política, material e imaterial, passado e presente. Corpos dançam, plantas ensinam, objetos agem, sonhos orientam.