Era eu um piolho, como todos, ou era um homem? Poderia eu ultrapassar o limite ou não? Ousaria me abaixar e tomar para mim ou não? Seria eu uma criatura tremula ou teria direito…Raskólnikov, jovem ex-estudante consumido pela pobreza e pelo orgulho, convence-se de que certos homens têm o direito de ultrapassar a moral comum quando acreditam servir a um fim superior. Movido por essa convicção, mata uma velha agiota — um gesto que, imagina, bastaria para afirmar sua liberdade e provar a própria grandeza. Mas, consumado o crime, nada segue o curso previsto: febre, medo, encontros inesperados e uma cidade sufocante começam a cercá-lo, enquanto a pergunta que ele julgava ter resolvido retorna com força crescente — até onde um homem pode avançar sem se perder de si mesmo?Publicado em 1866, quando Dostoiévski escrevia sob dívidas, luto e forte pressão editorial, Crime e castigo nasceu como “relato psicológico de um crime” — expressão com que o autor apresentou ao editor a história de um jovem arrastado por ideias próprias de seu tempo. Ao colocar no centro do romance um personagem dividido entre piedade instintiva e arrogância intelectual, Dostoiévski fez do crime menos um fim do que um ponto de partida: a experiência radical de descobrir que nenhuma ideia resiste quando a própria consciência se recusa a calar.Tradução feita do original russo por Rafael FratePrefácio de Brito BrocaIntrodução de Nikolai BerdiaevContém ainda: cronologia do autor, lista de personagens e itinerário fotográfico pelo lugares do romance.