Uma novela cômica, e ao mesmo tempo comovente, sobre os desejos e os desafios de um homem que se depara com um fato inevitável da vida: o envelhecimento. Inédito no Brasil, o livro O homem de cinquenta anos de Goethe chega ao país em tradução de Mariana Holms.
Um major viúvo de cinquenta anos se envaidece ao descobrir que a sobrinha, décadas mais jovem, quer se casar com ele. Movido pelo interesse que a moça desperta, o militar passa a se deparar com uma realidade à qual até então era indiferente: o reflexo do espelho. Para tentar recuperar os traços da juventude, recorre a cosméticos, indumentárias e truques aprendidos com um amigo ator.
O problema é que a sobrinha havia sido prometida ao filho do major, que por sua vez se vê obcecado por uma viúva mais velha do que ele. Forma-se uma quadrilha amorosa em que os desejos permeiam as diferenças de idade e as convenções familiares, colocando em xeque os papéis que cada personagem deveria desempenhar.
O contraste entre o ser e o parecer é central na narrativa. O major tenta modificar sua aparência para corresponder ao olhar de quem o deseja. As relações em seu entorno revelam como idade, posição social e expectativas familiares interferem na experiência amorosa.
Com humor delicado, Goethe constrói um retrato irônico da crise da meia-idade e do poder que o desejo tem de desorganizar as certezas de uma vida aparentemente estabelecida. As escolhas lexicais cautelosas e perspicazes do autor, preservadas na tradução de Mariana Holms, sustentam a ironia das passagens em que o impulso pessoal se choca com o papel social.
Lançada em sua primeira versão como livro de bolso, a novela tem fundo autobiográfico. Goethe tinha cinquenta e nove anos quando concluiu o texto em 1808, e as angústias relacionadas ao seu próprio envelhecimento se refletem na narrativa. Autor de Fausto e de Os sofrimentos do jovem Werther, Johann Wolfgang von Goethe é uma das figuras centrais da literatura alemã e da cultura europeia.