Os povos Munduruku, residentes em suas distintas aldeias com os pés nas raízes migratórias para o alto do rio Tapajós, autodenominados Wuy Jugu, têm como significado “formigas vermelhas”, em alusão aos guerreiros Munduruku que atacavam em massa os territórios rivais. Sendo uma das mais populosas e maiores nações indígenas da Amazônia, habitando historicamente a bacia do rio Tapajós. Conhecidos no período colonial como temíveis guerreiros pela sua tática militar e pelo costume de mumificar a cabeça dos inimigos, eles dominavam um vasto território conhecido como Mundurukânia. Hoje, a maior parte de sua população se concentra na região do Médio e Alto Tapajós, no sudoeste do Pará, dividida em dezenas de aldeias que resistem à pressão externa. A sociedade Munduruku é tradicionalmente organizada em clãs exogâmicos patrilineares (divididos entre os clãs vermelha e branca) e possui uma forte ligação cosmológica com os rios e as florestas de seu território. Em seus habitats, a subsistência do povo baseia-se na agricultura de coivara – com destaque para o cultivo da mandioca-brava –, na pesca estacional, na caça e na coleta de frutos nativos como o açaí e a castanha. A língua Munduruku pertence à família linguística de mesmo nome, integrante do tronco Tupi, e continua viva e ativa, sendo o principal pilar de sua identidade e transmissão cultural entre as gerações. Nas últimas décadas, os povos Munduruku do Alto Tapajós têm se destacado nacional e internacionalmente por sua forte organização política e capacidade de mobilização em defesa de seus direitos constitucionais.
Polliane Caetano dos Santos
Historiadora e empresária turística