A teologia não é propriedade de instituições religiosas e nem tampouco se limita à academia. Ela é e se faz na vida, na cultura, na comunidade, na trajetória de pessoas que indagam, sofrem, sentem, esperam e convivem com as ¿¿¿malditas questões humanas¿¿¿. Por isso, a literatura é uma importante interlocutora no fazer teológico, pois ela expressa, de forma singular, o pulsar da vida, a angústia da alma e as perguntas sem respostas. Ela é um solo fértil de e para a reflexão teológica capaz de construir sentido.
As obras de Dostoievski pontuam elementos teológicos importantes que são, inclusive, correspondentes à teologia latino-americana. Embora haja a percepção da expressiva presença do trágico em Dostoievski, isto não significa a negação da possibilidade de uma construção de vida. Dostoievski lida com o trágico, mas também com o belo. É como se Deus e o Diabo travassem uma batalha no coração humano.
É nesta direção que trilha a presente obra, no diálogo entre a literatura de Dostoievski e o pensamento teológico latino-americano, em especial, com o pensamento teológico de Juan Luis Segundo e José Comblin. Neste livro, o trágico não é negado, mas enfatizado no diálogo proposto uma construção de vida, apesar do trágico, que se dá na liberdade e no amor.