Uma mulher velha fala do seu cotidiano em uma instituição de longa permanência para idosos. Não sabemos a quem se dirige. Ela relembra momentos importantes de sua vida e fala do ?lho, que a abandonou, e do jovem que a engravidou, a quem chama de “?nado”. Revê também passagens sobre sua vida e comenta a solidão e a brutalidade do cotidiano de internação. Dayse Torres constrói um relato estruturado em frases curtas, sem pontuação, que lembra um longo poema. Mas “eu sou uma velha” é também um depoimento espontâneo, feito de pensamentos, recordações e associações livres de uma personagem em situação de privação, um experimento de linguagem radical e um ?uxo mental poderoso. O romance se levanta contra preconceitos. O resultado é um discurso ao mesmo tempo poético e objetivo, duro e sensível, sarcástico e tocante. Os temas do envelhecimento, da condição feminina, da solidão e da solidariedade ganham um retrato emotivo e crítico, que não dá margem ao sentimentalismo, a culpas e meias palavras. O projeto de escrita deste romance foi contemplado pelo programa Rumos Itaú Cultural 2023-2024. Capa e projeto gráfico de Julia Contreiras.