O que significa pesquisar o racismo quando o próprio corpo da pesquisadora carrega as marcas do que ela investiga? Em O peso da cor, Isabel Araújo da Costa conta sua trajetória como mulher negra, estudante cotista e mestranda que atravessou salas de aulas e hospitais sentindo, a cada etapa, o fardo de ocupar espaços historicamente negados a pessoas como ela. Entre a solidão da pós-graduação, os silêncios institucionais e a constatação de que a academia ainda não garante a permanência de pessoas negras, a autora desenvolve o que chama de “pesquisa encarnada”: um método em que corpo, memória e ciência não se separam. Analisando as relações raciais presentes em uma instituição de saúde, Isabel mostra que a cor da pele ainda é um revés para pacientes, trabalhadores e familiares. O resultado é um relato visceral sobre quanto custa — e o que significa — pesquisar levando o próprio corpo para dentro da ciência.