Esta obra propõe uma leitura renovada da colonização militar em Goiás ao deslocar o foco das narrativas limitadas às medidas administrativas para a análise das práticas concretas e da operacionalização dos planos governamentais de ocupação territorial. Ao articular militares, profissionais, administradores provinciais, comerciantes, trabalhadores e famílias de colonos, constrói-se uma racionalidade orientada ao objetivo de integrar os sertões dos rios Araguaia e Tocantins à totalidade do Império, então em processo de consolidação. Emerge, daí, a dimensão humana, ao mesmo tempo construtiva e trágica, de um processo que marcou quatro décadas e foi responsável por influir e desencadear diversas frentes de ocupação em diferentes partes do território goiano.
Mais do que uma medida para reverter a estagnação econômica instalada após o declínio da exploração mineral na província, a pesquisa demonstra como essas iniciativas estavam clivadas por tensões locais, ambições pessoais e limitações materiais em um processo constante de negociação, conectando experiências locais a debates imperiais sobre progresso, civilização e integração territorial. Como resultado, oferece uma contribuição ao entendimento do passado goiano e convida o leitor a repensar as próprias bases históricas da construção do Estado no interior do Brasil.