Afetos, sentimentos ou emoções, como quer que sejam chamados, não são eventos puramente fisiológicos, espontâneos, momentâneos e individuais. Tampouco representam o inverso ou a negação da racionalidade.
Eles ocorrem, sim, em nossos corpos e são vivenciados como experiências pessoais. No entanto, são processos construídos e detalhados coletivamente ao longo das histórias dos grupos sociais. São transmitidos e aprendidos, como parte de tudo o que necessitamos para nos tornar humanos.
Estão presentes em tudo o que pensamos, fazemos e somos. São frutos de nossas relações com outros humanos e atuam determinando as intenções, as intensidades e os efeitos de todas e de cada uma de nossas interações com os outros, o mundo e mesmo conosco.
Ao mesmo tempo, constituem as bases de cada uma das regras e suposições (nem sempre claras) que direcionam nossos modos de conceber o mundo, a vida, as relações sociais e nossos modos de participação nesses espaços. Assim, tentar entender o que são os afetos e como eles participam de nossas vidas pode ser um bom passo inicial para (re)avaliarmos nossos posicionamentos e relações.