Narrar é um modo de habitar o mundo. É no gesto de contar e escutar histórias que a experiência se converte em memória, a memória se inscreve como conhecimento e o vivido se abre à invenção de futuros possíveis.
Reunindo pesquisadores brasileiros e internacionais, a obra reafirma a força heurística da pesquisa (auto)biográfica diante dos desafios do nosso tempo, reconhecendo a vida como um território legítimo de produção de saberes.
Em diálogo com as epistemologias do singular-plural, os textos percorrem diferentes territórios de investigação, atravessados pela educação, decolonialidade, formação, saúde, identidades, ancestralidades, justiça social e múltiplas formas de resistência. Eles evidenciam que as histórias de vida não apenas testemunham existências, mas desestabilizam certezas, ampliam horizontes interpretativos e inauguram outras maneiras de compreender o humano em um mundo marcado pelas incertezas do Antropoceno.
Ao acolher vozes, corpos e experiências historicamente silenciados, a obra reafirma a narrativa como prática ética, política e sensível de produção de conhecimento. Mais do que reunir estudos, este livro é um convite ao encontro com vidas que pensam, resistem, reinventam e esperançam. Ao circular entre narradores e ouvintes, cada história preserva a memória do vivido, produz conhecimento e inaugura novos modos de compreender a si, ao outro e ao mundo.