Diário de tempo e espaço: o silêncio tatuado é uma obra sobre encontros e despedidas, cujo cenário é uma estação de trem diluída em espaços e tempos diversos. Ela caminha por muitos séculos, porém trata, poeticamente, dessas relações inacabadas da vida. É uma obra de espera e transbordamento de sensações ocorridas no vazio de alguma dessas estações metropolitanas do agora e do ontem, mas também de um tempo futuro. É um diário, é um exílio, é uma imaginação, é um tempo deslizante, um tempo documento, um tempo trabalho, vivido e costurado em múltiplas estações, como se fosse uma colcha de retalhos formada por fragmentos humanos.
Na obra, a desordem dos acontecimentos é o reflexo de um processo que desmonta a cronologia do tempo, do ser e do sentimento. O tempo está distante, há um distanciamento oportuno, uma pulsão de vastos retornos que não precisa de cartilha para existir e sobreviver nos tantos contornos da despedida, pois se alimenta do gesto da vida. Mas o distante está perto, e o que está perto adormecerá nos braços do leitor refugiado, do leitor que toma posição, do leitor imaginação.