Disjunção e Isolamento identifica um movimento não programático mas contínuo na história da literatura brasileira. Escrevendo num país disjuntivo, ou seja, no qual as desigualdades profundas promovem uma experiência social radicalmente fraturada, vários autores procuraram forjar uma forma literária em si mesma disjuntiva. Para caracterizar esse movimento, este livro analisa especificamente a configuração espacial num conjunto de narrativas que vão do final do século XIX ao início do século XXI em que os espaços em que vivem as camadas mais baixas da população – senzalas, cortiços, subúrbios, favelas, ermos rurais, periferias – convertem-se em espaços de isolamento físico e social. Assim, autores em tantos aspectos diferentes entre si como Júlio Ribeiro, Plínio Marcos, Aluísio Azevedo, Lima Barreto, Lúcio Cardoso, Carolina Maria de Jesus, Bernardo Élis, Guimarães Rosa, Ferréz e Antonio Arnoni Prado surgem lado a lado na composição de uma literatura disjuntiva que figura um Brasil há muito formado não sobre uma base de solidariedade, como seria de desejar, mas para perpetuar uma segregação entre os que deveriam ser iguais.
Imagem da Capa: O Espaço da Pintura 01-B (2023), de Sergio Fingermann
Projeto da Capa: Jorge Buzzo