Considerar a antropologia como um conjunto de acontecimentos implica afirmar a multiplicação de suas ocorrências bem como o suposto de que conhecer os modos distintos de fazer antropologia é uma das condições para melhor fazê-la.
Eis porquê esta ANTOLOGIA DE ANTROPOLOGIA MEXICANA é um tour de force. Seu conteúdo revela uma pesquisa árdua e rigorosa e a sua publicação oferece a estudantes e professores nas universidades brasileiras um conjunto significativo da antropologia no México. São temas e autores, lugares e pessoas, conceitos e análises, críticas e embates, que ampliam o conhecimento antropológico e afetam supostos já convencionalizados.
O autor deste livro, Roberto Lima, em uma precisa e sólida Apresentação narra como surgiu e se fez o projeto de pesquisa que tornou possível essa antologia que, além de preencher uma lacuna na formação de antropólogas no Brasil, põe em relação a antropologia que se faz no Brasil e aquela que se faz no México, abrindo um diálogo necessário embora muitas vezes ignorado.
ANTOLOGIA DE ANTROPOLOGIA MEXICANA contém quatorze artigos, distribuídos em quatro partes com uma simetria intrigante, 3X4X4X3, que remetem a momentos distintos da vida do antropólogo na México.
No primeiro artigo, de Isabel Ramírez Castañeda, de 1913, encontramos uma antropologia composta – etnologia, arqueologia e museologia – que impressiona pela finesa da descrição das "formas de cura" observados por ela. No último, de 2022, Renée de la Torre e Cristina Gutiérrez Zúñiga, tratam de um tema sensível no México, os Altares de Morto. Entre ambos, e outros, há um artigo de Bronislaw Malinowski e Júlio de la Fuente que descrevem as transações em um mercado mexicano, afirmando um método de descrição fundamentado na observação da conduta, o que fazem, não o que dizem. Em outro, Mulheres em armas: O Coronel Amalia Robles, não é o método etnográfico que importa, mas o "encontro etnográfico" entre a antropologia (fotógrafa documental e ambientalista, em Chiapas) Gertrude Duby Blom e a/o coronel (a) Amelio (a). Há outras questões importantes nesta Antologia, o que torna a sua leitura um convite irrecusável.
SUELY KOFES é Antropóloga, professora sênior do Departamento de Antropologia e coordenadora do LA''''grima, ambos no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas IFCH, Unicamp.