“Concentrei-me na organização técnica dos versos, porque sinto neles o tempo todo a ação de uma inteligência reflexiva e analítica. E fiquei tão atraído por isso – tenho poucas chances de fazer esse tipo de análise em poesia contemporânea, sempre derramada em causas – que deixei o resto um pouco de lado: são poemas com muita sonoridade, cheios de sonoras porradas nos lugares comuns hegemônicos de gênero e do politicamente correto, sempre irritativos e irônicos, alternados com vastas doses de melancolia obsessiva. [...] De modo geral, o verso não eleva a linguagem, ele tende a desmontá-la, sempre sob pressão e a ameaça de mandar tudo à merda."
Alcir Pécora (prefácio)