Tem gente que conta histórias. Tem gente que é a própria história. Eva Borges é as duas coisas. Nascida de sete luas, quase não vingou, foi salva, ela garante, pela guerra (como pode a guerra salvar?). Desde então, carrega o dom de pegar qualquer fio de causo, puxar, se perder no meio do caminho e chegar a um lugar que ninguém esperava, para o desespero dos ouvintes apressados que tentam, sem sucesso, adiantar o final. Foi escutando essas histórias a vida inteira que a filha, Telma, decidiu colocá-las no papel. Não como biografia, mas como escrevivência. Senta no banquinho, abra o ouvido, pois Dona Eva já está com a palavra na boca.