Este relatório de experiências versa sobre os dois processos de avaliação
utilizados em meus cursos na universidade: Planejamento Paisagístico,
obrigatório para os alunos de Arquitetura e Urbanismo, e Florestas Urbanas,
obrigatório para os alunos de Engenharia Florestal. Sendo também
optativos para diversos outros cursos, a preocupação maior foi sempre a da
multidisplinaridade e da interdisciplinaridade, procurando tirar proveito
dos conhecimentos trazidos por esses alunos. Outra preocupação foi a de
que os alunos tivessem uma participação constante em todo o processo
de aprendizagem, já que, sendo adepto do construtivismo, sempre me
pautei em Piaget, para quem nenhum homem nasce inteligente e o
aprendizado se dá por interação entre o indivíduo e os recursos externos
(PIAGET, 1975). Além disso, o construtivismo exprime a ideia de que
nada está pronto. O construtivismo não elimina as formas. Aproveita e
experimenta, mas defende o fazer e o agir como forma de construção
do conhecimento (BEKER, 1992; GONÇALVES, 2011; GONÇALVES, 2012).
Assim, a concepção do construtivismo é sobre como se produzem os
processos de aprendizagem (ZABALA, 1968). Para confirmação disto
temos dois depoimentos citados por Delamont (1987) sobre professores
que adotaram o construtivismo:
“Nas aulas do senhor Marks não se pode falar, temos de trabalhar
de modo que, depois de algum tempo, estamos de fato a trabalhar e
gostamos, porque aprendemos.” “Ela é muito organizada (a professora).
Mantém-nos a trabalhar durante o tempo todo, não nos deixa parar um
minuto.” (DELAMONT, 1987).
Quando do início dos cursos sempre tive a preocupação de deixar claro
a minha forma de trabalho, já que deveria contar com a compreensão
e com a cooperação dos alunos, baseado em que eu não ensinaria, mas
apenas procuraria facilitar o processo. Esta concepção está muito clara
no trabalho de Marques (1977), para quem
“Ensinar não é transmitir, pois o ensino depende mais daquele que
aprende do que das intenções, claras ou implícitas, de quem assume o
papel de facilitar a experiência do aluno. Ensinar é, sobretudo, planejar e propor situações de aprendizagem válidas no contexto sócio psicológico
em que elas têm lugar. Transmitir dá a ideia de alguma coisa que passa
de alguém para alguém. É um movimento direto e simples. Resquício
linguístico de uma tradição de origem medieval vivida, desde então, como
um fato dado, incontestável, por milhares de professores em diferentes
latitudes