"Se é poema ou não é, que idioma é este?
Este em que as palavras buscam sonoridade, buscam sentido, buscam ouvidos – e nada buscam.
Buscam, aliás, não ser palavra: prescindir da palavra. Acessar diretamente o sentido, o que é sentido – um sentido que faça sentido para os diferentes sentintes.
Mas a palavra faz falta – como se a palavra pudesse ela mesma consolar de sua própria incompetência semântica. Tal o grito que extravasa a dor e a alegria: tal qual lágrima. Não resolve. Não tem solução. Soluça – e nisso se basta.
A palavra falta. E continua a faltar. Mesmo quando designada “otsus”."