"Há algo de profundamente humano no Tribunal do Júri. Afinal, antes de condenar ou absolver, é preciso contar uma história. E toda história é feita de palavras, memórias, silêncios, interpretações e disputas por significado. Talvez por isso a verdade, no plenário, jamais se revele por inteiro: ela é construída, contestada e continuamente reconstruída por aqueles que a narram.
Partindo dessa premissa, a presente obra percorre um caminho que ultrapassa os limites tradicionais da dogmática processual. Ao aproximar Processo Penal, Filosofia da Linguagem e Criminologia, propõe-se uma reflexão sobre os mecanismos que permeiam o julgamento popular. Símbolos, narrativas, vieses, estigmas e discursos deixam de ocupar um plano secundário para revelar o quanto influenciam a percepção dos jurados e a própria ideia de justiça.
Sem abandonar o rigor técnico, o livro convida o leitor a enxergar o Tribunal do Júri para além do procedimento: como um lugar em que as palavras carregam consequências, as narrativas disputam significados e a condição humana se revela em toda a sua complexidade."