na espera áspera: uma resposta à altura
Em um universo poético mordaz, o eu lírico oferece uma resposta rascante à altura dos problemas denunciados. Assim, a obra confronta a existência de pastores bilionários, por exemplo, e a compaixão performática de gente endinheirada com precisão.
Pilares do caos
Além disso, o livro critica o engessamento dos partidos trabalhistas, que se tornaram domesticados. Infelizmente, essa busca por um certo “equilíbrio” político gera ecos negativos que, como sempre, recaem sobre o povo. Até aqui, três pilares fundamentais para suscitar o peso dos versos:
Pastores bilionários.
Compaixão performática.
Partidos domesticados.
Escárnio, deboche e existencialismo
Diante das situações e dos sujeitos denunciados, não poderia ser diferente: somente o escárnio e o registro oral desbocado dariam conta do recado, e é exatamente o que acontece em na espera áspera, sem perder de vista toda carga existencialista decorrente de um olhar tão aberto; quando mais se vê, mais se lamenta.
Poema / “de duas, uma”
quero evitar a fadiga
as discussões e os enfados dados
mitigar os ruídos e desgastes
esquivar-me dos conflitos e pelejas
quero evitar qualquer debate democrático
acho que queria ser um rei despota
com popularidade unânime
ou adquirir um vício em opióides.
as duas coisas me fariam feliz.