O quadro econômico e político vem mudando consideravelmente nos últimos anos. As forças que predominaram na década de 1990 sofreram derrotas em vários países da América do Sul e já não reinam incontestes em lugar nenhum. A ideologia da globalização perdeu charme e capacidade de persuasão. A proliferação de crises cambiais e financeiras, não só na América Latina, mas em várias regiões do planeta, evidenciou os riscos da desregulamentação das economias e da liberalização dos fluxos internacionais de capital. Ampliaram-se os movimentos sociais antiglobalização, mesmo nos países desenvolvidos, maiores beneficiários da abertura das economias.
Nesse novo ambiente, o Brasil vem modificando gradualmente a sua política de inserção internacional, em especial a sua estratégia para as negociações comerciais. Começamos a superar as posturas atemorizadas, freqüentemente subalternas, que marcaram a política externa do Brasil nos anos 90.
Esses e outros temas são discutidos neste livro, que está divido em duas partes. A primeira parte trata da dimensão cambial e financeira do relacionamento externo da economia brasileira e assuntos correlatos. A segunda parte examina as negociações comerciais do país, em especial a mais perigosa delas – a Alca.
As questões abordadas são bastante variadas, mas um tema percorre o livro inteiro: a preocupação com a recuperação e defesa da autonomia nacional, abalada pela orientação “globalizada” e por políticas antinacionais que prevaleceram no país e no resto da América Latina no final do século XX. Pagamos um preço elevado por essas políticas, tiramos algumas lições e estamos começando a tomar novo rumo. Este livro não tem outro propósito senão o de contribuir para esse processo de crítica e reformulação das relações econômicas internacionais do país.